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25/11/2011 - 14:07 - Por: Ciência Hoje On-line

Embalagem superecológica

Projeto desenvolvido por estudante do ensino médio propõe uso de resíduos orgânicos como alternativa ao plástico utilizado para embalar mudas de plantas

O incentivo ao desenvolvimento de projetos durante o ensino médio pode render frutos promissores. Esse foi o caso de um trabalho que prevê o uso de resíduos orgânicos como o bagaço da cana-de-açúcar e a casca do coco verde para substituir o plástico normalmente utilizado em embalagens de mudas de plantas.

A proposta, desenvolvida pela estudante de 19 anos Ana Gabriela Person, da Escola Técnica Conselheiro Antônio Prado, em Campinas (SP), pode ajudar a solucionar ao mesmo tempo dois problemas ambientais. O primeiro é o descarte de resíduos orgânicos no ambiente, sem que lhes seja dado um destino útil.

O outro é que os plásticos usados para embalar mudas de plantas nem sempre são retirados antes do plantio, principalmente em grandes plantações. Além de levar cerca de 400 anos para se decompor, o plástico ainda atrapalha o crescimento do vegetal.

“Minha ideia foi substituir os sacos plásticos por embalagens ecológicas, feitas com resíduos da matéria orgânica, que se decompõem rapidamente”, conta Ana Gabriela. A criatividade do projeto lhe rendeu o primeiro lugar na categoria Ensino Médio do Prêmio Jovem Cientista, que este ano tratou do tema ‘cidades sustentáveis’ e cujos vencedores foram anunciados no dia 8 deste mês em Brasília.

 

Receita simples

Ana Gabriela produziu diversos tipos de embalagens usando resíduos variados – como serragem, casca de coco, bagaço de cana-de-açúcar e jaca madura. Cada um deles foi misturado a componentes diferentes (amido de milho, cola, papel, argila, calcário, entre outros) para dar forma aos vasos ecológicos.
As receitas das embalagens são simples e muito parecidas – apenas os ingredientes mudam. Para mostrar que qualquer pessoa pode produzir os vasos ecológicos, a estudante ensina como fazê-los com bagaço de cana.

Primeiro, basta coletar os resíduos e mergulhá-los por algumas horas em água sanitária. Essa etapa serve para diminuir a quantidade de microrganismos responsáveis pela decomposição da matéria orgânica e dar maior vida útil ao produto. “Essa, aliás, foi a minha maior dificuldade no início do projeto: o vasinho é tão ecológico, que ele começava a se decompor antes da hora”, brinca a premiada.

Após o tratamento com água sanitária, é necessário esperar os resíduos secarem (no Sol ou em estufa) para iniciar a próxima etapa, a trituração. Apenas aí o processo pode exigir mais recursos: “Depois de seco, o material fica um pouco rígido, por isso é preciso triturá-lo com a ajuda de uma máquina especial”, ressalta Ana Gabriela.

Para agregar os resíduos, adicionam-se cola, amido de milho e argila. O passo seguinte é colocar a mistura em um molde e esperar secar, para então usar o produto no lugar das embalagens convencionais. “Além de evitar o emaranhamento das raízes e não agredir o ambiente, a embalagem ecológica ainda serve de nutriente para a planta, já que é feita de resíduos orgânicos”, avalia.

 

Da sala de aula para o "laboratório"

O projeto foi desenvolvido por Ana Gabriela ao longo do último ano do curso técnico em meio ambiente. A ideia foi sugestão da professora da disciplina química e meio ambiente, Erica Bortolotti, que a estudante considera a grande responsável pelo resultado final.

“É sempre um desafio para o professor trabalhar com projetos, porque a gente nunca sabe qual será o resultado”, avalia Bortolotti. “Geralmente vamos pesquisando e descobrindo junto com os alunos”, diz.

Para a professora – que acompanhou todas as fases do desenvolvimento do projeto –, a premiação foi uma surpresa, já que o trabalho é relativamente simples. Por outro lado, ela reconhece que a pesquisa teve o diferencial de resultar em um bom produto.

Bortolotti ainda aposta no incentivo dos professores para que trabalhos como o de Ana Gabriela – agora motivada a investir na carreira acadêmica – sejam levados adiante.

“A gente tem que incentivar essa cultura de desenvolvimento de projetos, mostrando que é possível colocá-los em prática”, defende. “E esse estímulo tem que partir sempre do professor, que é quem vai guiar os estudantes.”