publicidade
Mapa do Site Anuncie sua empresa Anucie sua oferta Cadastre-se
Sucata de Metais Ferrosos Sucata de Metais Não-Ferrosos Sucata de Plástico Sucata de Papel e Papelão Sucata de Eletrônicos Sucata em Geral
em noticias site todo
24/11/2011 - 16:39 - Por: DCI

Demanda menor comprime as margens na siderurgia

Nessa situação, as siderúrgicas acabam perdendo espaço para os distribuidores

As vendas de aço feitas pelos distribuidores aumentaram em outubro, mas com margens mais comprimidas. No último mês as vendas tiveram alta de 16,1% em relação às do mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, o aumento foi de 11,2% em comparação a igual período de 2010, de acordo com o Instituto Nacional dos Distribuidores do Aço (Inda).

O crescimento da comercialização através de distribuidor, no entanto, acende uma luz vermelha no setor, uma vez que eles vendem em menor quantidade, enquanto as siderúrgicas vendem em quantidades muito maiores. "Quanto mais nossos associados vendem, menor é a procura pelo produto", disse o presidente do Inda, Carlos Loureiro, em entrevista ao DCI. Ele acrescentou que, nessa situação, as siderúrgicas acabam perdendo espaço para os distribuidores.

"O consumo de aço no mercado interno está caindo a cada dia", diz Loureiro. Enquanto isso, o mercado mundial já registra aumento dos estoques em função da baixa demanda, o que obriga os fornecedores brasileiros a comprimir ainda mais as margens para aumentar a competitividade.

Os distribuidores de produtos siderúrgicos associados ao Inda compraram das usinas 3,3% a mais de aços planos em outubro, totalizando 341,6 mil toneladas. Se comparado a outubro de 2010, a queda é de 13,3%. No acumulado do ano, as compras apresentaram retração de 8,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo o presidente do Inda, a incerteza econômica foi um fator que influenciou na queda drástica do volume de importações. Em outubro, a entrada de aço no País totalizou 117,7 mil toneladas, diminuição de 74,5% em relação ao mesmo período de 2010. No acumulado do ano, as importações registraram retração de 50% em comparação ao ano anterior. Para Loureiro, o mercado apertado tem feito com que as empresas adiem pedidos internacionais.

Os estoques da distribuição em outubro registraram queda de 21,4% em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando cerca de um milhão de toneladas. Com isso, o giro manteve-se em 2,7 meses. "Os estoques estão na faixa da normalidade", diz Loureiro. Ele afirma que a tendência é de que o acúmulo se mantenha estável e, que em janeiro, haja uma redução maior ainda, mas que dificilmente fique abaixo de 2,5 meses.

O atual quadro desanimador já era esperado por alguns especialistas consultados pelo DCI. "As incertezas da crise internacional, somadas à desaceleração da economia, contribuíram muito para o desaquecimento do setor", avalia a analista de mineração e siderurgia da Tendências Consultoria, Stefânia Grezzana. Ainda nesta semana, a Associação Mundial do Aço (WorldSteel) divulgou os números da utilização global da capacidade das refinarias, que caiu para 76,5%, o menor nível do ano. "Setembro já tinha sido um mês muito ruim e em outubro a situação se apertou ainda mais", destaca Grezzana.

O presidente do Inda acentua que o preço do minério de ferro caiu bastante nas últimas semanas, no entanto, o dólar registrou alta, o que causou impacto no mercado do aço. "A volatilidade do câmbio é muito ruim para os negócios", acredita Loureiro.

 

Perspectivas para o futuro

Loureiro afirma que o primeiro trimestre de 2012 deverá ser fraco, com queda da demanda até o final do primeiro semestre. "Estamos prevendo um crescimento para o ano que vem de no máximo 5%, número bem abaixo do usual para a indústria do aço", pondera. Além disso, o presidente do Inda insiste na ampla entrada de produtos contendo aço no País. "Nossa condição é preocupante. Estamos perdendo clientes", diz Loureiro.

Já a Gerdau, uma das maiores produtoras de aços longos do País, afirma não ter sentido, ainda, o desaquecimento do setor. De acordo com seu diretor-presidente, André B. Gerdau Johannpeter, apesar do cenário mundial turbulento o mercado continua aquecido. "Não sentimos, até o momento, o efeito das incertezas econômicas em nossas vendas", diz o executivo, e afirma que a maioria das operações da empresa está localizada em países emergentes, onde a demanda segue firme. A apreensão, no entanto, é visível em relação ao processo de desindustrialização da cadeia metalomecânica no Brasil e na América Latina.

A analista da Tendências ressalta que o cenário não é tão catastrófico quanto os empresários estão prevendo. Apesar da queda da demanda, que deve persistir por algum tempo, o horizonte será melhor a partir do ano que vem.