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11/01/2012 - 17:23 - Por: Terra

Manufatura reversa transforma lixo em lucro

Máquinas de lavar roupas estão com a alíquota de IPI reduzida para 10%

Três fatores impulsionam o mercado de manufatura reversa no Brasil. O primeiro é o crescente consumo da Classe C, que de três anos para cá vem movimentando o varejo graças ao aumento de seu poder aquisitivo. O segundo fator tem o dedo do governo federal, que abriu mão de arrecadar R$ 164 milhões em impostos para manter a economia aquecida. Em dezembro, ele reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para produtos da chamada linha branca (geladeiras, fogões, lava-roupas). A medida vale até o dia 31 de março. Em terceiro lugar, a alíquota do Imposto sobre Operação Financeira (IOF) na concessão de crédito para pessoa física também foi reduzida - de 3% para 2,5%.

O terceiro fator que explica o crescimento do mercado de manufatura reversa foi a aprovação, em agosto de 2010, da Lei 12.305 - que versa sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos. De acordo com ela, as empresas produtoras de material que podem ser reciclados são responsáveis pelo destino final desse lixo.

Em um país cuja produção per capita de lixo eletrônico chega a meio quilo, segundo estudo do Programa da Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a possibilidade de ganhar dinheiro reinventando usos para o que parecia descartado é mais do que concreta. Exemplo disso é a Descarte Certo, empresa de manufatura reversa ligada ao Grupo Ambipar, que fechou 2011 com faturamento de R$ 1 milhão. Para isso, ela não teve de reinventar a roda. Sua proposta é simples: tornar útil o lixo eletrônico e só descartar o que efetivamente não puder ser reaproveitado.

 

Pesquisa
Estudo realizado pelo Pnuma aponta que o Brasil é o mercado emergente com maior volume de produção de lixo eletrônico per capita por ano. Só em computadores pessoais são descartadas 96,8 mil toneladas métricas por ano.

Geladeiras e celulares não ficam fora dessa lista. O Brasil descarta anualmente, em média, 76 mil toneladas per capita em geladeiras e 2,2 mil toneladas de aparelhos celulares.

 

Oportunidade
Segundo Ernesto Watanabe, sócio-diretor da Descarte Certo, o mundo é carente de soluções para esse tipo de lixo. Segundo ele, por enquanto a população assimilou apenas o conceito de reciclagem de materiais como a lata de alumínio e a garrafa pet. "Nós já atuávamos no setor de gestão ambiental. Entre 2008 e 2009, percebemos o potencial deste nicho de mercado, que ainda engatinha no mundo todo. No Brasil, apenas 3% desse tipo de resíduo é reciclado", diz Watanabe.

Com serviços que atendem a pessoas físicas e a empresas de variados segmentos, a Descarte Certo começou retirando o lixo eletrônico (computadores, televisores, monitores de tubo ou LCD, aparelhos de som, câmeras fotográficas, CDs, DVDs, pilhas, impressoras, eletrodomésticos, eletroportáteis, aparelhos de telefonia e acessórios, aparelhos de utilidade doméstica) e o encaminhando a empresas de manufatura reversa. Estas desmontavam as peças, separando o que poderia ser reaproveitado para reciclagem e o que poderia ser reutilizado pela própria indústria.

Quando questionado sobre a receptividade das empresas ao serviço prestado pelo empreendedor, Watanabe diz que, após a aprovação da Lei de Resíduos Sólidos, foi mais fácil apresentar seu trabalho. "As empresas não se importavam e nem sabiam o que fazer com o lixo eletrônico que produziam", diz ele. Hoje, a Descarte Certo tem parcerias com companhias como a Samsung, Cybelar, Banco Santander, Carrefour e Porto Seguro Cartões.

Em 2012, graças a um aporte de R$ 66 milhões, a empresa passará a fazer todo o processo com sua primeira fábrica de manufatura reversa e estima recolher 3,6 mil toneladas de lixo eletrônico. "Com isso conseguiremos prestar serviço com melhor desempenho econômico e ambiental", diz o empresário. O empreendedor acredita que o faturamento deste ano pode ser até três vezes maior que o de 2011.

A inserção no mercado mundial não está descartada. Watanabe afirma ser algo provável nos próximos anos, mas que ainda é uma opção que em fase de amadurecimento. "Temos a intenção de ampliar nossos negócios para o exterior, mas primeiro queremos consolidar nosso modelo de negócio no Brasil", diz.